EM BUSCA DO SANTO CÁLICE: Capítulo I – A chegada do Visitante

ROMA, maio de 2008.

As portas de bronze do Vaticano foram abertas às duas da madrugada. Instantaneamente, seis homens vestidos de preto atravessaram-na. Eram soldados da Guarda Suíça Pontifícia. Quatro deles permaneceram junto às portas e outros dois foram mais à frente. Olharam para a direita, para a esquerda, para o alto, para todos os lados.

-Limpo – falou um destes para alguém, num discreto microfone, oculto sob a gola do sobretudo.

-OK – respondeu uma outra voz, que o sub-oficial Matteo Svaldo pôde escutar no fone acoplado ao ouvido.

Dois faróis surgiram lá longe. Os seis guardas suíços voltaram-se naquela direção.

O carro foi se aproximando velozmente.

O Fiat Siena preto parou de chofre de fronte às portas de bronze.

As portas do carro abriram-se e dois homens saíram de seu interior, cada um segurando a alça de uma caixa de metal. Eles correram e entraram no Vaticano.

Um terceiro homem saiu do carro. Sua cabeça movia-se de um lado para o outro, olhando tudo ao seu redor. Era o Coronel Beo Von Swaden.

Após certificar-se de que ninguém os observava, o coronel deu a ordem:

-Tudo bem, entrem.

Os seis guardas suíços entraram no Vaticano. O Siena saiu dali tão rápido quando chegou.

As portas de bronze se fecharam novamente atrás do Coronel Swaden.

-Operação bem-sucedida. O visitante chegou – falou o Coronel ao microfone em seu sobretudo.

***

Naquele silêncio extremo, o som da caixa sendo posta no chão ecoou no interior da Estância de Constantino. Esta era a primeira das quatro Estâncias de Rafael, situadas no segundo piso do Palácio Pontifício, e assim chamadas por terem sido decoradas pelo famoso pintor Rafael; em outras épocas, foram utilizadas pelo Papa Júlio II, como também por vários de seus Sucessores, como aposentos pessoais. A Estância de Constantino, de sua parte, era destinada a recepções e cerimônias oficiais.

O Coronel Swaden entrou na Estância a passos rápidos, mas não conseguiu impedir-se de contemplar “O Triunfo da Religião Cristã”, pintado por Tomás Laureti no teto da sala, por encomenda do Papa Gregório XIII. A sala toda, em si, era representação do triunfo da Religião Cristã sobre o paganismo: nas paredes, a Escola de Rafael pintara belíssimas cenas da conversão do Imperador Constantino, com a qual definitivamente o Cristianismo venceu o paganismo do Império.

-Meu caríssimo Coronel Beo… – os pensamentos do Coronel foram interrompidos pela voz grave e melodiosa de Monsenhor Agostino Bacci, Diretor dos Museus Vaticanos.

-Reverendíssimo Monsenhor – falou Beo, apertando a mão de Mons. Bacci.

O Monsenhor sorriu.

-E então? Nosso visitante está aí? – Perguntou o Monsenhor, apontando com os olhos a caixa de madeira no chão.

-Tudo correu perfeitamente, Monsenhor.

-Certo – replicou Mons. Bacci, quase sem prestar atenção ao que dissera o Coronel; seus olhos brilhavam, contendo uma empolgação adolescente. – Então, vamos abrir…

O Coronel abaixou-se e pôs a senha na fechadura da caixa. Ao rolar o último número, a caixa se abriu.

Um brilho dourado refulgiu em seu interior, refletindo a luz da sala.

Monsenhor Bacci se ajoelhou e tomou em suas mãos a preciosa relíquia: um cálice de ágata roxa com uma magnífica base de ouro e pedras preciosas, tipicamente medieval.

Os olhos do Monsenhor brilharam. Brilharam empolgados…

O Santo Cálice de Valência estava em Roma de novo, após mais de 17 séculos.

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